Produção insuficiente de leite materno e baixo ganho de peso do
bebê são queixas muito frequentes entre as mães. Geralmente a solução
apresentada para esses casos por pediatras e outros profissionais da saúde é a
introdução de leite artificial.
Porém, antes de diagnosticar essas duas situações, é preciso
prestar atenção nos seguintes pontos:
1) Importantíssimo para o sucesso da amamentação é verificar se a pega no peito está correta: o bebê abre bem a boca,
abocanha o mamilo e grande parte da aréola, alcançando os depósitos de leite
localizados na região. Ao fechar a boca, os lábios ficam voltados para fora e
vedam a passagem de ar, favorecendo o correto padrão de respiração pelo nariz.
A língua se posiciona sob o mamilo, à frente, entre os rodetes de gengiva que
comprimem a aréola, ajudando o bico a se alongar em até três vezes o seu
tamanho dentro da boca do bebê - tal alongamento é necessário para que alcance
e toque o ponto de estímulo neural da deglutição, na região posterior do palato
("céu da boca") da criança. O recém-nascido obtém o leite por
trabalho muscular (ordenha), não havendo, em momento algum, pressão negativa ou
sucção, como infelizmente ocorre com a mamadeira e a chupeta.
Pega incorreta resulta numa ordenha
ineficiente, não saciando as duas necessidades básicas do bebê - fisiológica
(por leite materno) e neural (de trabalho muscular) -, além de causar fissuras
mamilares e outros problemas, resultando em dor durante a amamentação. Se notar
que a pega não está correta, interrompa a sucção introduzindo delicadamente o
dedo mínimo entre a boca do bebê e o seio e reinicie o processo. Não deixe que
a criança continue mamando com pega incorreta.
Além de machucar a mama, pode-se iniciar um
ciclo vicioso: o bebê não consegue obter todos os nutrientes de que necessita,
oferece-se a mamadeira por causa do ganho insuficiente de peso, ele fica
confuso, pois abocanha o bico de modo diferente do que faz com o peito da mãe,
a pega no seio nunca é corrigida e tende a piorar dessa forma.
Se você sentir uma
dor, quer dizer que a pega não está correta, com o dedo mindinho introduza na
boca do bebê e tire o bico do seio e tente novamente.
2) A amamentação deve ser praticada em livre demanda para garantir que o bebê seja suprido em todas as suas necessidades nutricionais, inclusive hidratação. Desse modo, ele pode retirar todo o leite de que precisa conforme a sua vontade. Amamentação não combina com relógio: deixe o bebê comandar!
3) Se mesmo com a técnica (pega e
posição) adequada e regime de livre demanda o bebê não ganhar peso, é preciso
verificar se a mãe não o está trocando de peito durante a mamada antes do tempo. O leite posterior (do final) contém mais gordura. Se o
bebê mamar somente dez minutos (ou 20, ou qualquer tempo estipulado) sem
esvaziar o peito, ele deixa de tomar o leite gordo. Portanto, deixe-o mamar à
vontade, até quando quiser. O seio que for esvaziado produzirá o leite para a
próxima mamada, em quantidade suficiente. Quando o bebê quiser mamar de novo,
você poderá oferecer o outro peito, então os dois vão ser estimulados. Dessa
forma, para assegurar um bom ganho de peso é preciso: pega adequada, livre
demanda e a permanência do bebê no mesmo peito durante a mamada (não trocar
antes de esvaziar completamente um seio). Alguns recém-nascidos também sugam
muito lentamente nos primeiros dias e precisam de muito tempo para esvaziar a
mama (prepare-se, porque essa situação não dura para sempre!)
4) Se o bebê continuar não adquirindo
peso apesar da efetivação dos três itens acima, é necessário conferir a
hipótese de infecção
urinária, que é uma das causas de baixo ganho
de peso corpóreo em recém-nascidos.
5) Porém, mais importante que o valor
registrado na balança é observar o desenvolvimento da criança.
Bebê saudável não é o bebê que engorda sem parar. Recém-nascidos ganham peso em
proporções inconstantes - devem dobrar o valor do nascimento até os seis meses
e triplicá-lo até um ano de idade de acordo com a OMS.
Segundo as orientações da Organização
Mundial da Saúde (OMS) para o aleitamento materno, a quantificação rigorosa do ganho de
peso do bebê pelos pais deve ser desincentivada. Os valores podem variar muito, porque cada criança tem o
seu próprio ritmo de crescimento. É importante considerar o biotipo do bebê: como são os pais?
Gordinhos, magrinhos, altos, baixos? A
genética tem uma grande influência na estrutura física do indivíduo. Além
disso, existem flutuações normais no peso. Colocar freqüentemente a criança na
balança pode levar os pais à insegurança. Pesar o filho antes e depois da
mamada também não deve ser parâmetro para medir a quantidade de leite.
As novas curvas de crescimento
revisadas pela OMS baseando-se em bebês alimentados com leite materno estão no link e fotos abaixo. Lembre-se de verificar
com o pediatra de seu filho se ele está usando as curvas atualizadas.
6) O colostro, que
começa a ser produzido no terceiro trimestre de gestação, é o primeiro alimento
e a primeira "vacina" do bebê. Leia o artigo "Amamentação na
primeira hora, proteção sem demora!"
Ele começa a ser secretado logo após o nascimento e é produzido em
baixa quantidade justamente porque o recém-nascido ainda não está com os rins
totalmente preparados para processar grande volume de líquidos. No período
inicial, enquanto o leite não desce - demora entre três e cinco dias ou mais -,
só o colostro é suficiente e perfeitamente adequado ao bebê, portanto, continue
colocando-o no peito freqüentemente. Se a criança estiver mamando colostro em
livre demanda e em contato contínuo com a mãe, seu choro nesse início de vida
dificilmente poderá ser associado à fome e às colicas. Técnicas muito
eficientes para acalmar o bebê na fase imediatamente sucessiva ao nascimento
são as aplicadas na “teoria da Extero-gestação". Leia o artigo na íntegra,
utilíssimo para bebês novinhos! (Teoria da
Extero-gestação para bebes novinhos - Dr. Karp)
7) A OMS cita que oferecer
água ou leite artificial ao bebê ao invés de permitir-lhe o
aproveitamento dos benefícios do colostro enquanto o leite materno não desce
não é justificável.
8) Nas primeiras duas – três
semanas de vida é natural o bebê perder até 10% de seu peso (excesso
de líquidos retidos que são eliminados) e só voltar a recuperar os gramas
perdidos no final da terceira semana para então começar a ganhar peso
propriamente dito.
Permita que seu filho mame o colostro e estimule a produção de
leite materno, não interferindo nesse processo natural introduzindo mamadeiras.
9) Geralmente seis –oito semanas após o
parto, a mulher passa a não ter mais ejeções entre as mamadas e seus seios
ficam desinchados, porque o corpo pára de produzir leite em excesso e se
auto-regula conforme as necessidades do bebê, contanto que ele seja
amamentado em livre demanda. Portanto, é normal sentir os peitos murchos depois
de um mês. O leite não fica armazenado no peito: cerca de 80% dele é produzido
na hora da mamada (a não ser na fase imediatamente pós-parto, quando os peitos
costumam até vazar). O engurgitamento das mamas nas primeiras semanas nada tem
a ver com a quantidade de leite produzida e sim com uma inflamação temporária
no início da lactação. Peitos cheios e vazamento são problemas iniciais, que
desaparecem assim que a amamentação estiver estabelecida.
10) É absolutamente normal
o bebê diminuir o ganho de peso a partir do terceiro mês de vida. O Dr.
Carlos González, autor do livro Mi Niño
no me Come (em
inglês My Child Won’t Eat), recomendado pela La Leche League
International, chamou essa fase de "a crise dos três meses":
"Por volta de dois, três meses de idade, alguns bebês tornam-se tão
eficientes na mamada que são capazes de mamar tudo o que precisam em poucos
minutos (entre três e sete). Se a mãe não sabe disso, ela fica insegura achando
que seu filho de três ou quatro meses não mama o suficiente, pois só permanece
três, quatro minutos no peito, sendo que aos dois meses mamava por 15 minutos,
por exemplo. Além disso, o bebê que ganhava peso rapidamente, agora está caindo
na curva de crescimento. A mãe também notou que os seios não enchem mais como
antes e não vazam. Todos esses fatos são normais, mas a mulher que não está
ciente disso pode achar que há algo errado.
Para entender bem esse processo, leia o texto na íntegra:A crise dos 3 meses
11) Outro mito moderno que muitas vezes ilude a mãe é que as
crianças, à medida que o tempo passa, aprendem a dormir mais. Na realidade,
elas passam mais tempo acordadas
quando vão crescendo. É verdade que um dia vão dormir mais horas seguidas e,
finalmente, a noite inteira, mas dificilmente isso acontece aos quatro meses de
idade. Ao longo dos primeiros meses de vida, é mais provável que você observe
seu bebê dormindo menos. Muitas crianças mamam
várias vezes por noite ainda durante os primeiros anos (o que,
para a mãe, é muito mais fácil do que preparar mamadeiras de madrugada). Dar LA
não ajuda no sono e pode provocar desmame precoce. Estudo recente prova que não
há diferenças no sono de bebês amamentados ou que tomam LA: Leite artificial ajuda
no sono?? Estudo desmistifica essa noção comum!
12) Tem mãe que nunca vê o próprio leite, ou seja, nunca consegue
ordenhar uma gota com auxílio de bomba (manual ou elétrica) ou mesmo por
ordenha manual, mas o bebê mama exclusivamente ao seio e se desenvolve muito
bem. Portanto, a quantidade de leite
extraída não é confiável para determinar o volume de leite produzido, não deve
ser usada como medida de produção de leite suficiente.
13) Para saber se a produção materna de leite está adequada,
pode-se contar quantas vezes por dia a criança urina: 5-6 fraldas molhadas
indicam que ela está bem hidratada e a quantidade de leite é suficiente.
Casos reais de baixa produção de leite:
- Quando o bebê tem um repentino ganho de peso ou crescimento e o
peito "ainda não teve tempo" de adequar a produção, ele pode pedir
para mamar de hora em hora. Os picos de crescimento (em inglês growth spurt) acontecem justamente por essa razão:
aumentar a produção de leite materno. Esses fenômenos ocorrem por volta dos
sete-dez dias, duas-três semanas, quatro-seis semanas, três meses, quatro
meses, seis meses e nove meses, em média, e continuam ao longo do
desenvolvimento da criança. A mãe deve respeitar os pedidos constantes para
mamar e oferecer o peito, ou seja, amamentar em livre demanda, inclusive à noite.
Só assim a sua produção se ajustará perfeitamente às necessidades do bebê, o
que acontece em alguns dias. Oferecer leite artificial durante os picos de
crescimento impede que o organismo da mãe se adapte à nova demanda, podendo
iniciar um desmame precoce desnecessário, em alguns casos.
- Quando a mulher está cansada,
exausta, beirando a depressão pós-parto. Nesses casos, são necessários
orientação real e efetiva e talvez aconselhamento médico. Apoio de uma rede de
mulheres é muito importante. Procure grupos de apoio de amamentação em tua
cidade ANTES mesmo do bebê nascer. Aqui tem onde achar grupos e bancos de leite
(que dão orientação sobre amamentação).
- Quando a mulher começa a desacreditar
em sua capacidade de nutrir o bebê. Ao oferecer leite artificial antes da
mamada, o organismo entende que não precisa produzir a quantidade extra que a
criança já tomou. Sem total confiança na capacidade de amamentar, a mulher
coloca o bebê ao seio "já sabendo que não tem leite". Com a
auto-estima baixa é como se a mãe desistisse, "jogasse a toalha",
então o leite seca totalmente.
O que fazer para
aumentar a produção?
Quando o leite seca, a mulher passa a produzir menos ou o bebê repentinamente aumenta a demanda, pode-se tentar as seguintes medidas antes de recorrer ao leite artificial:
Físicas: descansar durante o dia, beber diariamente dois litros (no
mínimo) de líquidos, habituar-se a tomar sucos, água, etc. antes de cada
mamada, deitar com a criança, amamentar pelo menos uma vez de madrugada (não
precisa acordar o bebê, é só pegá-lo e colocá-lo ao seio mesmo dormindo),
oferecer o peito mais vezes que o habitual durante o dia e amamentar sempre que
a criança demonstrar interesse. Em muitos casos pode-se tentar relactar,
técnica muito simples e pouco conhecida, infelizmente. Ver aqui: O que é relactação e para que serve?
Emocionais: conscientize-se que, apesar do seu poder de gerar e nutrir, a mulher, quando tem um filho, fica bastante fragilizada. Ela precisa receber muito apoio, boa orientação e amor, caso contrário, é possível que não consiga amamentar com sucesso. É importante cercar-se de pessoas que transmitam mensagens de otimismo, carinho, apoio, e não o contrário - de desestímulo. Parentes (quase sempre com boas intenções) chegam dizendo que amamentar dá muito trabalho, que o leite é fraco, que o bebê precisa de um complemento, etc. Esse tipo de "conselho" mina a auto-estima da mãe. Não existe leite fraco. A natureza é sabia e poderosa. Nós, seres humanos, não estaríamos aqui se não fosse pelo leite materno. Ele chega sempre, quando realmente o desejamos e temos orientação. A informação é muito importante, mas o apoio é determinante. Uma criança não é responsabilidade só dos pais - é de todos. Ela é o nosso amanhã. Temos que respeitá-la e apoiar quem tem coragem de gerá-la. Apoio logístico consiste em ajuda efetiva para cuidar do bebê (pode vir do pai, da avó, da tia, de uma babá legal, de uma amiga, de qualquer um que o faça por amor e com muita atenção e cuidado). Apoio moral consiste no amor, no reconforto, na paciência, no incentivo, no respeito e nas boas vibrações das pessoas próximas. Amamentar é dar amor, mas, para fazê-lo, a mulher precisa recebê-lo!
Ver informações sobre principais causas
de baixo ganho de peso:
Entretanto, a tendência parece ser chegar no consultório do pediatra com uma queixa sobre amamentação e sair com uma prescrição de leite artificial, pois é muito mais fácil fechar o diagnóstico de "pouco leite" como algo fixo, definitivo, imutável do que trabalhar, orientar, aconselhar, visitar e acompanhar a mãe. Quanto mais desesperada estiver a mulher, mais ela terá a tendência de atestar o diagnóstico equivocado, e o pediatra então concluirá que ela não vai conseguir mesmo amamentar. Na maioria dos casos, dar de mamar é um ato de fé e persistência, mas é preciso ter apoio e orientação.
Definitivamente,
Leite artificial não é a solução!
Se você tiver alguma dificuldade em amamentar, procura um banco de leite da sua cidade, aqui em Recife, temos no IMIP, procure e não desista, pois o leite materno é muito importante para o seu bebê.
http://fisioedoulamariahcoeli.blogspot.com.br/2013/03/diagnostico-precipitado-de-pouco-leite.html
Eu acho ótimo amamentar, minha filha de 2 meses Ana Júlia mama bastante, tá bem gordinha e mama a hora que ela quer e cada mamada dela é longa, eu adoro dar de mamar pra minha filha.
ResponderExcluirQue legal Fernanda, amamentar é um dos maiores atos de amor que uma mãe pode ter com um filho....além de poder contribuir diretamente com a saúde dela ainda aumenta mais ainda o vínculo entre vcs duas...pena que nem tudo mundo sabe e entende a importância de amamentar....
ResponderExcluirEla mama em LD ( livre demanda) ?